Skip to content
אצלי
Go back

Mozilla sob ataque: o que aconteceu com o Firefox?

Mozilla sob ataque: o que aconteceu com o Firefox?

A Mozilla atualizou o Termos de Uso para Firefox juntamente com uma atualização para o seu Aviso de Privacidade. Essa mudança ocorre quando a organização quer (supostamente) fornecer transparência sobre seu compromisso com a privacidade do usuário.

Entre os novos termos, os usuários são obrigados a conceder para a Mozilla uma “licença mundial não exclusiva, livre de royalties” para usar as informações inseridas através do navegador. Essa terminologia vaga desencadeou alarmes, ao deixar ambígua a natureza dos dados que a Mozilla pode acessar, potencialmente incluindo informações pessoais, senhas salvas ou histórico de navegação.

Ao atualizar seus termos de uso e política de privacidade para o Firefox, ficou tão feio e grotesco que virou assunto, tornando a Mozilla mais vilão do que já é e incitando a internet a realizar o velório do que um dia já foi o Firefox.

Termo de uso e privacidade

O motivo do caos foi a inclusão EXATA do seguinte trecho:

You Give Mozilla Certain Rights and Permissions

You give Mozilla all rights necessary to operate Firefox, including processing data as we describe in the Firefox Privacy Notice, as well as acting on your behalf to help you navigate the internet. When you upload or input information through Firefox, you hereby grant us a nonexclusive, royalty-free, worldwide license to use that information to help you navigate, experience, and interact with online content as you indicate with your use of Firefox.

Em tradução livre:

Você concede à Mozilla determinados direitos e permissões

Você concede à Mozilla todos os direitos necessários para operar o Firefox, incluindo o processamento de dados conforme descrito no Aviso de Privacidade do Firefox, bem como a atuação em seu nome para ajudá-lo a navegar na Internet. Quando você carrega ou insere informações por meio do Firefox, você nos concede uma licença mundial, não exclusiva e isenta de royalties para usar essas informações a fim de ajudá-lo a navegar, experimentar e interagir com o conteúdo on-line, conforme indicado no seu uso do Firefox.

Remoção de pergunta no FAQ

Vamos ao segundo fato:

O Firefox silenciosamente removeu sua seção de FAQ afirmando que eles não vendem dados pessoais.

FAQ anterior: ‘O Firefox vende seus dados pessoais? Não. Nunca vendeu, nunca venderá… Isso é uma promessa.’

Essa pergunta e resposta já não existem mais.

Página no archive: https://archive.is/7Sg6q

Nova página, com a pergunta e resposta removidas: https://www.mozilla.org/en-US/firefox/faq/

Commit da página com a remoção: https://github.com/mozilla/bedrock/commit/d459addab846d8144b61939b7f4310eb80c5470e

E a razão de removerem a afirmação de que nunca venderão dados é porque… AGORA VENDEM. Simples assim.
E isto acompanhou uma postagem querendo explicar qual o significado e interpretação da lei sobre “o que é ‘vender’ ”. Só uma enrolação prolixa em https://blog.mozilla.org/en/products/firefox/update-on-terms-of-use/

Basicamente um “não vamos vender, mas vamos vender… Porém de outro jeito de vender que vocês não entendem.. mas confie em mim. Vou vender não vendendo”

Um pouco de contexto

O Google perdeu um processo antitrust com os EUA, em breve virá mais desdobramentos e algo semelhante corre na UE. Isto fará com que a Mozilla perca mais de 80% de sua receita, pois o Google não poderá mais pagar milhões e milhões de dólares para ser o mecanismo de pesquisa padrão no Firefox.

Uma vez que o negócio é retirado, a Mozilla está sem dinheiro.

Recentemente, passaram por 3 demissões em massa e em meio a este caos, a Mozilla está mudando a liderança (advindos do Partido Democrata nos EUA) e focando em impulsionar ativistas políticos e a defesa de algumas bandeiras woke, incluindo nisto, voos e hospedagem para evento em resort de luxo com palestras e eventos sem relação. Muito estranho para quem poderá perder grande parte de sua receita e que, paralelamente, além de ter financiamento do governo americano, também recebe doações de pessoas físicas.

AI e publicidade

Voltando aos negócios, a Mozilla adquiriu a Anonym, empresa de publicidade online fundada por ex-executivos da Meta e a Fakespot, uma startup especializada em identificar avaliações falsas de produtos em sites de comércio eletrônico.

Usam a Anonym para pintar uma face bonita em anúncios online, a definição que usam é sobre a “Privacidade Diferencial”, segue:

“A Anonym está construindo a tecnologia com técnicas de preservação da privacidade, que adiciona ruído calibrado aos conjuntos de dados para que os dados individuais do usuário sejam mantidos o mais privados possível, enquanto ainda são úteis em conjunto. Os cálculos sobre esses dados ocorrem em ambientes seguros e privados. O sistema é projetado de tal forma que os seres humanos não têm acesso a dados individuais.”

Mas isto não é nada novo, Google e Apple já o fazem… e no final das contas, de um lado entram os dados coletados do usuário e do outro lado, o dinheiro da venda destes dados.

Nos planos para os próximos 5 e para os próximos 25 anos, a Mozilla não menciona o Firefox nem o Thunderbird… IA, ecossistema de anúncios (com a palavra ‘privacidade’ junto para não assustar) e algumas outras frases de efeito sem declarar nada tátil.

Coleta de dados sem consentimento

Em setembro de 2024, o grupo de defesa dos direitos digitais NOYB (None Of Your Business) apresentou uma queixa contra a Mozilla junto à autoridade de proteção de dados da Áustria. A acusação centra-se na funcionalidade de “atribuição de preservação de privacidade” (PPA) do Firefox, que, segundo o NOYB, rastreia o comportamento dos usuários na web sem o devido consentimento.

Embora a Mozilla afirme que essa funcionalidade visa medir o desempenho de anúncios de maneira não invasiva, o NOYB argumentou que, por estar ativada por padrão, viola as leis de privacidade da União Europeia, pois não oferece aos usuários a opção de consentir previamente com o rastreamento. O NOYB solicitou que a Mozilla informe os usuários sobre esse processamento de dados, altere o sistema para um modelo de opt-in e elimine todos os dados processados ilegalmente.

Em junho, a NYOB havia apresentado uma queixa contra a Alphabet por supostamente rastrear usuários de seu navegador Chrome. Também apresentou centenas de reclamações contra grandes empresas de tecnologia, algumas levando a grandes multas.

Pediram desculpas e removeram isto nas releases posteriores

Outro ponto:
A Mozilla decidiu incluir um token de download exclusivo nos downloads do site do Firefox e usa a telemetria para enviar o token e atribuir IDs aos usuários.

Recomendações do PrivacyTools e PrivacyGuides

Com isto, o PrivacyTools https://www.privacytools.io/private-browser passou a recomendar para quem ainda escolhe o firefox:

Recomenda-se a instalação de complementos adicionais do navegador para fortalecer ainda mais o Firefox. O Firefox é capaz de sincronizar todos os seus dispositivos em diferentes plataformas. O Firefox não é a solução perfeita pronta para uso, mas definitivamente vale a pena dedicar um tempo extra para configurá-lo adequadamente.

Fortalecimento e ajustes: As configurações padrão do Firefox não são a melhor opção para ser um navegador que respeita a privacidade. Use o Firefox Profilemaker para ajustar as configurações. Uma alternativa é fazer o download do user.js do Arkenfox reforçado - coloque-o no diretório user.js do Firefox e ele corrigirá tudo para você. Você também pode fazer isso manualmente.

Ou se você não gosta desse circo, escolha o LibreWolf.

E o PrivacyGuides possui um guia com diversas configurações a serem tomadas para quem escolhe o Firefox:
https://www.privacyguides.org/en/desktop-browsers/#firefox

Hora de abandonar o Firefox?

Se o foco não é evoluir o browser, outras comunidades, devs, empresas e orgs estão focando seus esforços e finanças no desenvolvimento de um Browser e seu entorno.

Vários projetos possuem ex-membros e colaboradores da Mozilla, como o Brave, Qute, Beaker, Servo, Cliqz. Uns não avançaram, outros estão alcançando o merecido sucesso.

Atualmente, meu navegador padrão é o Brave. Adotei-o e migrei (saindo do Firefox) em algum ponto entre 2020 e 2021.

Quer manter no sabor do firefox?

Listados e recomendados pelo PrivacyGuide/PrivacyTool:

E outros:

NomeLink do SitePropósito / Foco
LibreWolflibrewolf.netFoco em privacidade e segurança, removendo recursos de coleta de dados e utilizando uma abordagem mais restritiva em relação ao rastreamento.
Waterfoxwaterfox.netNavegador de código aberto com ênfase na privacidade e suporte a plugins antigos do Firefox, que não são mais suportados na versão mais recente.
Basiliskbasilisk-browser.orgFocado em fornecer uma experiência similar ao Firefox antigo, mantendo compatibilidade com extensões legadas e recursos do navegador antigo.
Falkonfalkon.orgNavegador leve e rápido, baseado no Firefox, com foco em simplicidade e baixo consumo de recursos, ideal para dispositivos mais modestos.
Palemoonpalemoon.orgFocado em desempenho e personalização, com ênfase em manter a compatibilidade com extensões mais antigas e uma interface mais tradicional.
IceCatgnu.org/software/libreplanet/icecatVariante do Firefox focada em software livre e privacidade, removendo codecs proprietários e implementando ferramentas de segurança adicionais.
SeaMonkeyhttps://www.seamonkey-project.org/Foco em manter a suíte do navegador e mantendo a compatibilidade com o codigo fonte do Firefox.

Esses navegadores são baseados no Firefox, mas com diferentes objetivos focados em privacidade, personalização ou compatibilidade com versões anteriores.

Algumas fontes para aprofundar no caso:

https://lunduke.substack.com/p/how-is-mozilla-spending-that-1-million

https://lunduke.substack.com/p/mozilla-chaos-layoffs-founder-out

https://lunduke.substack.com/p/use-firefox-mozilla-says-it-can-use

https://lunduke.substack.com/p/privacy-watchdog-group-attacks-mozilla

https://lunduke.substack.com/p/mozillas-dreams-do-not-include-firefox

https://blog.mozilla.org/en/mozilla/improving-online-advertising/

https://opendp.org/about#whatisdifferentialprivacy


Share this post on:

Previous Post
AstroPaper 5.0
Next Post
O Algoritmo de Elon Musk Explicado